quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Quem matará o rádio?

Amigos.

Não, não quero aqui decretar a morte de um dos veículos mais importantes da história da humanidade. Escrever isso me daria a imagem de um completo ignorante!!! Além disso ia ferir alguns grandes amigos que trabalham em rádio como Paulo Mai (JazzMasters), Diguinho (Band Coruja) e Irineu Toledo (Primeiro Programa).

O que pretendo aqui é opinar sobre algo que pode matar o rádio sim, e não é a Internet. Para a rádio a sua morte é também a sua fonte de vida. Paradoxo? Sim, mas é o que tenho visto nos últimos anos.

Eu cansei de ouvir lá pelos anos de 2001, 2002 que a Internet ia ser a rainha da comunicação e que por causa disso mataria o rádio, TV, jornal, revista e Outdoor. Mentira! Em 1938 surgia o rádio e está ai até hoje. Quase 100% da população tem um aparelho (seja portátil, celular, no carro, na sala...). Em 1950 surgia a TV (estamos falando de Brasil, ok?) e com ela a primeira “morte do rádio”. Não houve! Uma mídia não matará a outra nunca, pois há espaço para todos!

Mas então, o que pode matar o rádio?
Pasmem, mas na minha opinião, a PROPAGANDA vai matar o rádio! Mas como isso é possível, se é a propaganda que sustenta essa e qualquer outra mídia? Resposta simples: vocês tem ouvido a qualidade dos spots de rádio ultimamente?

Todos sabem que qualquer mídia vive do anunciante, entretanto, quem anuncia quer retorno, claro.

Mas será que os spots estão dando esse retorno ao cliente, ou estou ficando um velho chato? Há tempos venho pensando: “quem cria os spots de rádio?” Estagiários de 1º ano? Nada contra eles, afinal eu também já fui um estagiário, mas a qualidade tem sido tão baixa que me assusta pensar que um redator premiado em Cannes faz um comercial onde uma velinha diz “Fio é Sil, viu fio”.

Hoje me deparei com um Spot com o depoimento do José Luiz Datena (Band/SP) para uma marca de impermeabilizante. Além de longo o Spot, o texto começa com o Datena dizendo “você que vai chamar seus amigos para assistir ao campeonato de futebol e a sulamericana...” até ai, tudo bem, se não fosse o fato dos campeonatos acabarem na semana que o Spot entrou no ar. Como impactar o ouvinte dizendo “ei, você que vai assistir algo que já acabou....” qual impacto?

Spot de rádio estão sendo amplamente repetidos. Perdem o impacto, perdem a aderência ao ouvinte. Como dizemos na web para um banner que está a muito tempo no ar “vira paisagem”. As pessoas ouvem. Se não se irritam em ouvir pela décima vez a mesma “piadinha” no dia, 10 segundos depois nem lembram o que ouviram. De que adianta comunicar se o seu consumidor não absorveu o impacto e não vai comprar seu produto?

Agências e anunciantes gastam muito mais em compra de espaço do que na criação da peça. Porque não criar várias peças e veicular nos espaços? Eu ouço muito a Band AM e tem comercial ali que é o mesmo há mais de um ano.

Jingles fracos, texto sem graça, repetição, repetição e repetição. Uma piada é engraçada quando contada 1,2,3 vezes. Passou disso, perde a graça. As pessoas já sabem a resposta e não querem mais saber daquela história. Então muda! Para mim, isso é completa falta de planejamento estratégico.

E porque a propaganda vai matar o rádio?
Simples, porque com a qualidade dos Spots hoje em dia, os resultados de venda serão cada vez menor.

A matemática é simples: A cada dia mais e mais pessoas começam a ouvir rádio. Com isso a audiência aumenta. Os valores de inserção também, mas as pessoas não serão impactas por peças chatas, sem graças e que ficam repetindo 200 vezes por dia. Menos pessoas compram, menos retorno o cliente tem, menos compra na rádio e sem dinheiro quem sobrevive? Segundo o Projeto Intermeios (Grupo Meio e Mensagem) desde 2009 o investimento em Internet passou em rádio. A Web vai matar o rádio? NÃO!!!

Mas a qualidade das ações da web tem impactado mais o consumidor, pois os sites estão sendo melhor trabalhado, banners interativos, comunidades em Redes Sociais ativas, promoções em Twitter. E no rádio? Aquele jingle ruim, aquela piadinha sem graça, aquela repetição, aquele mesmo comercial há 2 anos. Será que o anunciante não enjoa?

Saudades do Spot da “...voando pelo céu, trazendo um Natal de felicidades e um ano novo cheio de prosperidade. Varig” Esse Spot tem mais de 15 anos, mas era tão bom, que fica na mente do consumidor. O que tenho visto hoje são milhões de reais jogados fora, pois o excelente veículo rádio tem sido muito, mas muito mal usado pelas agências.

O Brasil é um dos países mais criativos do mundo, sem dúvida! Temos Olivetto, Nizan, Serpa, Ricardo Chester.

Mas no rádio, cadê a nossa criatividade?

Já está a venda o meu livro PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO DIGITAL (Ed Brasport). Adquira já o seu

Abraços
Felipe Morais
@plannerfelipe

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2 Comentários:

Às 9 de dezembro de 2010 06:39 , Anonymous Tiago Cunha disse...

concordo plenamente Felipe, a qualidade de spots e jingles estão muito baixas...aqui no interior então, é nítido esse declínio e o custo da rádio não é barato.

 
Às 9 de dezembro de 2010 07:45 , Blogger Rafael disse...

Boa tarde, Felipe e amigos!

Com toda certeza desse rádio e desse mundo, a gente sabe que a inteligência criativa, seja ela para inovar como no case da Rádio SulAmérica Trânsito, ou para renovar como ocorreu há poucos anos atrás com as "rádios rock", que tiveram que rever seus conceitos e ampliar o foco para não perderem ainda mais audiência, é fundamental para que empresas possam se manter atualizadas, ainda mais se tratando de veículos de comunicação, cujo modelo de negócio requer dinâmica e constante atualização.
Acredito no potencial do rádio como mídia, porém, creio também na necessidade de uma nova postura desse veículo perante o mercado, para que esse potencial possa ser novamente reconhecido por anunciantes e agências, que por sua vez terão que fazer aquilo que melhor sabem fazer também para o rádio, que é ousar, criar e se diferenciar com uma programação de inserção mais técnica.
E para mim não existe oportunidade melhor para que rádio, anunciantes e agências reciclem a utilização desse formato do que a era digital em que vivemos.

Obrigado,

Abs e aguardo comentários!

Rafael Daibs

 

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